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#1000XBUCETUDA

#1000XBUCETUDA

AGOSTO, mês que ME celebro ao encerrar um ciclo 4.8 e seguir para abraçar o ciclo 4.9. Por isso, abro nosso editorial compartilhando uma experiência que me levou a uma boa reflexão neste mês de balanço de vida.

Como muitas de vocês sabem, treino arco e flecha na Vedana Arqueria Intuitiva,  e em uma noite muito fria aqui em Curitiba, fui em mais um workshop voltado só para mulheres, desta vez sem ser ao ar livre.

Ao final pedi a uma de minhas mestras, Fernanda Viganó, que gostaria de aumentar a distância de meu alvo de 5 para 10 metros, já que vinha treinando ao ar livre nesta distância, no último mês.  Ela concordou e depois disse qual era o último desafio neste workshop: Atirar em um bombom colocado no meio do alvo. Na hora pensei: "Ih, me lasquei, logo agora pedi para aumentar a distância!". Mas resolvi manter minha solicitação e permanecer no meu desafio pessoal. Foquei em mim, trabalhando minha respiração, apontei e soltei a flecha…zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.... direto no ALVO. Siiiiiiimmmm, eu acertei na primeira flechada e direto no meio do bombom!

Ao acertar veio aquele grito de "UAU, eu consegui!" e com ele uma celebração coletiva de todas as mulheres e de minha outra mestra, Daniele Vecchi, que disse: " Você é MIL VEZES BUCETUDA!"

Caímos na risada e ela me contou que este era um termo que uma amiga muito especial usava, quando fazia alguma coisa muito legal sobre e para si mesma.

Voltei para casa com esta frase na mente e pensando sobre o real significado empoderador que ela expressava. Ao invés de que tiro "da porra" ou "do caralho" que remetem mais ao que os homens dizem nessa hora, minha mestra gritou "bucetuda".

No dia seguinte o primeiro WhatsApp que recebi foi dela e dizia: "Obrigada por ser mais uma das muitas mulheres bucetudas que chegaram na minha vida. Nós não somos "do caralho", "nem da porra". Somos bucetudíssimas!"

Sim, Dani, eu sou, você é, nós somos! Pois os homens tem sido em todos os tempos o "caralhudo", mas nós somos aquelas que devem ter uma "bucetinha". Nestes termos aumentativos e diminutivos, passamos uma vida não nos expressando com o que temos e somos, e “emprestamos” termos que não pertencem sequer a nossa anatomia.

Você pode estar achando, o que de tão importante tem nestas palavras, chamadas de palavrões, que ao saírem de uma boca feminina soam tão grosseiras e feias, a ver com empoderamento?

Tem tudo a ver. Como compartilhei no começo desta pROSA, neste MÊS de aniversário, faço um balanço de minha vida, e ao escrever este post, percebi o quão “BUCETUDA” eu sou.

Uma mulher que vem se moldando, se reinventando, superando barreiras, se inspirando com outras tantas mulheres, aprendendo e desaprendendo, gargalhando e chorando em cada gozo de vida, fazendo acontecer para inspirar outras mulheres a fazerem acontecer também.

Creio que todas somos iguais e não acredito que o gênero influencie nossas habilidades.  Não sei em que momento compreendi que eu era feminista, mas o que sei é que quanto mais amadurecemos, mais sentimos como o gênero determina nossas experiências.

Portanto, sei que hoje nós queremos ser bucetudas. Pois temos orgulho de nossas bucetas, de nossa capacidade de ir além do que nos foi imposto, de uma cultura que passou dizendo que BUCETA (ou boceta, tanto faz) é uma palavra feia, mas PAU ou CARALHO é sinônimo de força e poder. Cultura essa que sempre afirmou que “palavrão” não é coisa de menina.

O escritor Luis Fernando Veríssimo, em seu texto “O DIREITO AO PALAVRÃO” diz que: Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade, nossos mais fortes e genuínos sentimentos. Existem momentos que parece mesmo que somente um bom palavrão expressará autenticamente o que estamos sentindo”.

Pois hoje desafio você a buscar em sua rede de relacionamentos e afetos, quem é a mulher que te inspira e que você possa dizer: "FULANA você é #1000xBUCETUDA por tudo o que fez e o que faz. Você é uma mulher que me inspira e me faz querer ser BUCETUDA também!"

Um AGOSTO embucetador para você! (E cá entre nós, fica muito mais bonito do que dizer “Um AGOSTO do caralho”, né?)

Por Lênia Luz

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