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Desafio e Paixão

Por Daniela Delfini

Essa história começou em 2008, quando resolvi realizar um sonho no dia do meu aniversário, um sonho simples, alegre, um desejo, sem grandes pretensões: conhecer um ensaio de escola de samba.

Era o início de uma paixão que me move intensa e alegremente. Para minha grande surpresa a família toda me acompanhou. Um aniversário inesquecível, alegre como nenhum outro, movido pelo batuque e pelas fortes batidas cadenciadas dos corações que ali chacoalhavam.

A mesma alegria que me contagiou, hoje é motor para minha dedicação aos ensaios e treinos para me preparar para os desfiles, minha empolgação e minha vontade de levar cada vez mais gente comigo.

Fonte: Google

Quem não gosta de samba...não conhece as lições dessas comunidades, onde alguns valores tão em falta por aí, são tão fortes quanto a batida do ritmo e o gingado dos quadris. Eu sou fã inveterada dessas comunidades, admiro a beleza, a força, as almas alegres de gente que luta, que tem sangue nas veias, que não se abate, que tem história, tem filhos, trabalha, acredita e briga, que lava a alma na quadra, com imensos sorrisos, contagiantes e uma fé que move multidões.

O título do carnaval é a meta, mas o caminho é de trabalho, suor, resignação, treino, superação, motivação, alegria, força, fé e coragem, muita música e dança. Para mim, uma vontade de transformar tudo isso em algo melhor para todos que frequentam e amam o universo dessa cultura tão brasileira que é o nosso carnaval.

As lições de humildade são frequentes, no sábado de Carnaval, ao terminar o desfile, já passava de 7h da manhã, após 8 horas de concentração, tensão, expectativa, no retorno da avenida, pés cansados e doloridos, eu caminhei lado a lado com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira; ela, linda no salto, sorrindo, humilde, orgulhosa do desfile! O mesmo casal que está em absolutamente todos os ensaios, gente da velha-guarda, que transborda energia, garra e vitalidade.

São tantas as histórias da comunidade do samba, é aprendizado sem fim que se renova ano após ano e que  só faz crescer a minha paixão.

A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Trabalhar com essa mesma paixão ou amar o que se faz é também um sonho, não?

E eu não sei como terminar, porque eu quero isso sempre na minha vida: a paixão, o samba, a dança, os aprendizados e quem sabe um projeto que contribua com essas comunidades, com tudo o que a gente aprende fora deste universo.

Recentemente iniciei uma nova trajetória profissional e tenho certeza que fazer o que a gente gosta muda todo o contorno dos temidos desafios. As escoriações, noites em claro, contusões o suor e o sangue engrandecem o orgulho, porque “quem corre atrás do que gosta, não cansa” (Markinho – falecido presidente da GRES Tom Maior).

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