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Empreendedorismo Literário Feminino

Por Mayra Corrêa e Castro

George Sand, autor de setenta romances e mais de cinquenta volumes reunindo contos, novelas, ensaios políticos e peças de teatro foi, na verdade, ela, Amantine Aurore Lucile Dupin, que nasceu em Paris, em 1804, e adotou aos 25 anos um pseudônimo masculino. A partir desse evento, e numa sociedade aristocrática conservadora, ela alcançou notoriedade e circulou nas rodas da alta literatura.

Quase duas décadas mais tarde, três irmãs, que se tornariam fundamentais na história do romance inglês, também adotariam nomes masculinos para publicar sua primeira coleção de poemas: Charlotte, Emily e Anne Brontë. A razão que deram para tanto foi a de quererem privacidade e por acharem que seus escritos não eram “femininos”.

 

Texto Mayra Junho Fonte da imagem: Giselda Zgoda / Luciana do Rocio Mallon, escritora curitibana

 

Já no século XXI, a escritora mais famosa do mundo resolve se lançar num novo gênero literário, o romance policial, e adota um pseudônimo de homem: Robert Galbraith, que esconde o verdadeiro sexo de J. K. Rowling que, por sua vez, já havia sido obscurecido pelas iniciais do nome quando do lançamento de Harry Potter.

Se é sabido que as pessoas compram livros pela capa, talvez seja menos óbvio que os livros podem nem ser publicados se assinados por mulheres. Alguns editores alegam que homens ganham mais prêmios, outros dizem que mulheres leem autores de ambos os sexos, mas homens não leem escritoras sem um bom motivo; também alegam que determinados gêneros não “ornam” com autoras, como o policial, a ficção científica, o terror, ou o erótico (vale lembrar que E. L. James é um nome que não revela o sexo da autora Erika de 50 Tons de Cinza). Ou talvez seja apenas preconceito.

Aliás, falar de escritoras no gênero erótico mereceria uma coluna inteira, mas tenho pelo menos uma boa história sobre isso. Luciana do Rocio Mallon, escritora curitibana, foi expulsa de um grupo de poetas quando descobriram que ela também escrevia poesias sensuais na internet. Alegaram que aquilo não era “coisa de menina”. Então, num evento público do mesmo grupo, ela enviou suas poesias sob o pseudônimo de Henrique e compareceu travestida de homem. Suas poesias não apenas foram aceitas e lidas, como aplaudidas.

E agora, que outra razão para pseudônimos senão o preconceito?

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