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Empresárias brasileiras na Alemanha - Lilianne Sette

Por Rosani Erhart Schlabitz

Eu e minha entrevistada caímos de paraquedas no meio da vida corrida desta empreendedora brasileira na Alemanha. Sempre muito ocupada e com mil responsabilidades, em especial neste ano, com a organização da festa de comemoração dos 10 anos da creche “Raabennest Kinderkrippe” para mais de 200 pessoas. Sem esquecer a outra escolinha que dirige há 18 anos, unido ao papel de mãe de três filhos. Ufa! Haja fôlego! Mas Lilianne Sette (Lili, como gosta de ser chamada) não se deixa intimidar, ama o que faz e faz bem, prova disto é o sucesso e reconhecimento que obteve em uma das áreas mais exigentes pelo povo Germânico – A Educação.

Fonte da imagem: Google

1) Lili, conte como foi o início do teu trabalho aqui na Alemanha...
Meu empreendimento foi fundado em 1996, mas meu envolvimento na área iniciou cinco anos antes.
Cheguei na Alemanha em 1991, com 24 anos de idade. Inicialmente trabalhei como AuPair para uma família em Munique, no bairro de Grünwald, sendo responsável por 3 crianças. Meu interesse por educação infantil foi se aprofundando e, em 1992, fui convidada para trabalhar na escola infantil frequentada pelas crianças desta família. Pela minha paixão, talento e dedicação, acabei sendo bem aceita pelas crianças, pelos colegas e também pelos pais das crianças. A proprietária da escola, aos poucos, aumentou minha responsabilidade, mesmo sabendo da minha dificuldade com o idioma e não possuindo um diploma na área. Com isso, abandonei o trabalho de AuPair e fui efetivada na escola infantil.
Esta atitude da proprietária me estimulou e motivou a fazer um curso profissionalizante na área de pedagogia infantil. Estudei e trabalhei por 3 anos, e tive a oportunidade de implementar ideias inovadoras, iniciando um novo conceito pedagógico dentro da escola onde trabalhava. O apoio e incentivo da proprietária da escola foram fundamentais para meu desenvolvimento profissional. Aos poucos me tornei o “cartão de visita” da escola pela minha maneira carismática em lidar com as crianças, principalmente aquelas que não dominavam alemão e estavam em fase de adaptação na Alemanha, pois esta escola possuía clientes de várias nacionalidades.

2) Como você de Professora se tornou Empresária?
Lamentavelmente, no final de 1996,  a proprietária da escola adoeceu e veio a falecer. Neste período, a escola ficou a mercê, sem liderança, e com o risco de fechar. Na época contava com 4 funcionários e 40 crianças. Envolvidos nesta situação insustentável, os pais propuseram a criação de uma associação sem fins lucrativos, como um modo de manter o empreendimento. Devido as minhas qualificações pedagógicas e de liderança, a associação me ofereceu a diretoria da escola.
Com o auxílio da família e de amigos, aceitei este desafio, e em dezembro de 1996 o “Raabennest Kindergarten e.V” foi fundado, com 30 crianças e 2 funcionários adicionais. Inicialmente trabalhava como parte do grupo educador, mas com o aumento das responsabilidades administrativas, passei a trabalhar como professora somente em casos de emergência, quando o quadro de funcionários não estava completo. Minha maior responsabilidade se concentrou na parte administrativa, além de relações públicas. O sucesso do jardim de infância “Raabennest Kindergarten e.V” trouxe a possibilidade de expandir ainda mais, e em 2004 fundei a creche “Raabennest Kinderkrippe”. Hoje conto com um quadro de 22 funcionárias, de diversas nacionalidades,  para atender 85 crianças, de 3 meses a 6 anos de idade.

3) Quais as vantagens e desvantagens do seu empreendimento como brasileira?
A desvantagem, para qualquer estrangeiro, está relacionada a capacidade de adaptação em uma cultura muito diferente, e também a um clima hostil, além da falta de conhecimento técnico do idioma e de leis trabalhistas e fiscais.
A vantagem em ser brasileira está relacionada a flexibilidade, espontaneidade e comprometimento em aceitar desafios buscando melhores soluções. Outra vantagem é o fato de meu empreendimento ser na área da educação infantil, isso permitiu ter meus filhos próximos, como parte da escola. Assim, pude concentrar-me nas tarefas diárias com tranquilidade.

4) Quais são as tuas expectativas como empreendedora?

Espero realizar mais cursos na área pedagógica, manter o bom relacionamento que tenho com o Governo da Baviéra, pois ele é quem subsidia as escolas.

5) O que você acha que uma empresária brasileira deve ter para conquistar sucesso na Alemanha?

Conhecer bem o cliente e suas necessidades, ter funcionários qualificados e comprometidos, e conhecer bem os regulamentos e leis.Tenho sucesso com meu empreendimento porque estou imersa na cultura alemã, tive e tenho bons conselheiros e ofereço um serviço de qualidade e diferenciado.

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