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Mudança de planos

Por Camila Nicolellis

“Uma coisa tão simples quanto o bater de asas de uma borboleta, pode causar um tufão do outro lado do mundo”. Estamos o tempo inteiro expostos a efeitos borboletas que mudam o rumo de tudo. É como se a vida fosse um jogo de tabuleiro e cada vez que os dados são arremessados o futuro muda de formato. Quem quer vencer não pode contar apenas com teoria do caos e sorte, precisa de estratégia. Então, você cria todo um planejamento, a tal da borboleta bate asas na Finlândia e muda todo o cenário do jogo. E de repente, não mais que de repente, você percebe que a vitória tão desejada não faz mais tanto sentido. Hora de reformular tática, objetivo, equipe ou mudar de jogo.

Parece simples. O Quico recolhe os brinquedos e vai atrás da sua bola quadrada. Só tem um detalhe: a terra e as borboletas não giram ao seu redor. É preciso lidar com a gestão de expectativa em cima de você. Novamente aquele papo de que as pessoas e eventos estão conectados de algum modo. E a sua atitude impacta no jogo de outras pessoas. Por essa razão, a sociedade é permeada por contratos. Explícitos e velados. Justos e injustos. Mas eles estão por toda parte lembrando que ninguém é tão independente quanto pensa.

Fonte da imagem: Brooklyn Morgan

Você não pode assumir um projeto e abandonar a equipe no meio por que resolveu tirar um período sabático para meditar na Tailândia. Não pode abrir um negócio e alguns meses depois decidir que agora vai investir na carreira de músico. Não pode pedir demissão e uns dias depois chegar na empresa dizendo que mudou de ideia. Não pode pedir uma pizza de calabresa e no segundo pedaço trocar por uma napolitana. Não pode trair o marido e voltar para casa dizendo que fez isso por causa de uma borboleta que bateu asas freneticamente na Espanha.

Ah, não pode. Quem disse, Berenice? Pode. Desde que esteja ciente que cada escolha tem um preço. E dependendo da taxa de conversão das borboletas de Wall Street pode ser que o seu bolso não possa bancar certas instabilidades. E o ser humano não costuma estar preparado para lidar com frustrações.

É aí que o bicho pega. Cada vez mais o mundo empreendedor teoriza a valorização do fracasso. Um mundo em que todo mundo pode errar é lindo, mas e na prática? O investidor não vai aplaudir a sua coragem na hora de pagar pelo cálculo errado na precificação de produtos. Nem o chefe vai lidar bem com o espírito nômade do funcionário que não apareceu em uma reunião. E não vai ser divertido encarar o “que pena que não deu certo” dos amigos e nem tão amigos se aquela ideia genial de startup não funcionar como você esperava. Apelidei essa tendência de “Estética do erro”, em que é bonito ostentar atitude e inovação por meio de erros quase calculados, mais próximos de estratégias de marketing do que de falhas de gestão.

Portanto, leia as letras miúdas dos contratos, pense bem antes de assinar e capriche nas cláusulas de empatia, bom senso e respeito. E se achar que é hora de mudar de ideia no meio do caminho, mude. Quantas vezes achar necessário. Quando a gente está fazendo o bem e correndo atrás do que acha certo sem passar por cima de ninguém, com certeza as borboletas colaboram para que coisas boas te escolham.

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