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Sonhar dá trabalho?

Por Liziane Silva

Eu me perguntei isso alguns dias atrás, enquanto ouvia uma pessoa que respeito muito dizer em uma palestra: “sonhar grande e pequeno dá o mesmo trabalho, então vamos sonhar grande”. Tradicionalmente atribuída a Jorge Paulo Lemann, esta frase tem ganho muitas menções em eventos e vídeos de empreendedorismo, e confesso que também me inspirou e me inspira a refletir sobre o tamanho dos sonhos que estou construindo.

Fonte de Imagem: Tumblr

E esta é a palavra que traz consigo a reflexão. Estou CONSTRUINDO. Sonhos, assim como carreiras e empreendimentos, por mais clichê que isso soe, não podem ser apenas sonhados. Precisam ser construídos sobre bases sólidas de conhecimento, vontade e rede, e é este processo que é inesgotavelmente trabalhoso, principalmente por ser muito diferente do que temos no nosso imaginário. Histórias de grandes empreendedoras nos mostram como uma sucessão de (poucos) erros e (muitos) acertos bem marcados levaram ao sucesso, mas não nos dão uma dimensão imaginável para o dia a dia do que é empreender. Então, ousamos entrar neste mundo sem saber exatamente o que nos espera, esperando amar o que fazemos todos os dias.

Cal Newport, em seu livro “So Good They Can’t Ignore You” ainda não traduzido (o título traduzido literalmente seria “Tão Bom que Não Podem te Ignorar”, mas duvido que seja a escolha da editora quando e se ele vier) diz, resumidamente, que “faça o que você ama” é um conselho ruim. Ele diz que há pouquíssimas pessoas que tem “paixões” que podem ser identificadas previamente, traduzidas e construídas como oportunidades reais de carreira, e usa o exemplo do Steve Jobs para ilustrar “se perguntássemos para o jovem Jobs o que ele amava, certamente não ouviríamos nem ‘computadores’ e nem "construir uma empresa que vai mudar o mundo”, mas Jobs, ao longo de sua vida, entendeu que poderia fazer isso e o fez de forma muito apaixonada.

Cal aprofunda a reflexão conhecendo várias pessoas que amam o que fazem e buscando descobrir seus "segredos", e chega à conclusão que as pessoas que amam o que fazem e que tem mais satisfação em seus trabalhos têm: autonomia (sentimento de que você pode ter controle sobre suas ações e decisões de carreira), competência (sentimento que você é boa no que faz) e conexão ou impacto (sentimento de conexão com outras pessoas, ou que o que você faz importa para outras). Outro ponto fundamental é que o que vai te tornar excelente é a prática deliberada ou “treino com propósito” e o pensamento de artesã. O treino com propósito tem como bases: ter pelo menos 10 mil horas de prática, com feedback constante de especialistas, dificuldade crescente e quebrando seus pré-conceitos sobre o que acredita que pode ou não realizar. Ou seja, treinar, treinar, treinar, aplicar, receber o feedback, treinar, treinar, treinar, mudar de “fase” e aplicar, treinar, treinar, treinar (aplicando!) e ir ganhando cada vez mais autoconfiança de que ir mais longe é possível! Isso deve acontecer incessantemente até você se tornar excelente e continuar mesmo depois disso para você se manter excelente.

Viu o sonho voltar à cena ali em “ir ganhando cada vez mais autoconfiança de que ir mais longe é possível”? Se você acha que seu sonho é grande demais para você, lembre-se disso. Sonhos são construídos, e isso não acontece sem treino ou sem prática. Vamos que vamos sonhar e trabalhar GRANDE. Estamos juntas!

 

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